A gestão segura de rejeitos ocupa hoje o centro das discussões técnicas, regulatórias e institucionais da mineração. Tanto que eventos recentes reforçaram uma verdade incontornável: segurança não pode ser tratada como exceção, e sim como premissa. Nesse contexto, o padrão internacional para a gestão segura de gestão de rejeitos na mineração se consolida como referência global, redefinindo responsabilidades, processos e critérios de governança.
O Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM) surge como resposta direta à necessidade de elevar o nível de controle, transparência e prestação de contas em todas as fases do ciclo de vida das estruturas e na gestão segura de de rejeitos. Desse modo, o GISTM é mais do que um conjunto de diretrizes, o padrão propõe uma mudança estrutural na forma como dados, decisões e riscos são tratados dentro das operações.
O que é o GISTM e por que ele se tornou referência global
Lançado em 2020 por iniciativa conjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, dos Princípios para o Investimento Responsável e do Conselho Internacional de Mineração e Metais, o GISTM estabelece princípios claros para alcançar a meta de dano zero às pessoas e ao meio ambiente.
No Brasil, o padrão passou a integrar de forma crescente o debate técnico e institucional, sendo reconhecido também pelo Instituto Brasileiro de Mineração como um referencial mais rigoroso para a gestão segura de rejeitos. Seu escopo abrange desde o relacionamento com comunidades até o projeto, a construção, a operação, o monitoramento, a resposta a emergências e a transparência pública.
O ponto central é que nenhuma decisão relevante pode ser tomada sem base técnica consistente, documentada e verificável.
Gestão segura de rejeitos exige dados confiáveis e rastreáveis
Um dos principais avanços do GISTM está na exigência de uma Base Integrada de Conhecimento. Isso significa consolidar dados geotécnicos, ambientais, sociais e operacionais em um repositório único, atualizado e auditável. O padrão deixa claro que informações fragmentadas, planilhas desconectadas e registros manuais comprometem a segurança.
Na prática, a gestão segura de barragens depende de registros íntegros que acompanham toda a vida da estrutura. Investigações de campo, ensaios laboratoriais, controle tecnológico de obras e relatórios técnicos precisam conversar entre si. Cada dado deve carregar contexto, origem, responsável e histórico de validação.
Sem essa base estruturada, conceitos como prevenção, governança e transparência permanecem no campo teórico.
QA/QC como base do GISTM na engenharia
Embora o GISTM seja um padrão amplo, sua aplicação concreta passa necessariamente por práticas consolidadas de QA/QC. Até porque, com ele, garantia e controle da qualidade deixam de ser etapas finais e passam a estruturar todo o processo técnico.
Dessa forma, é possível afirmar que planejamento adequado, execução conforme especificações, validação contínua e melhoria sistemática são elementos centrais tanto do QA/QC quanto do GISTM. Por exemplo, o padrão internacional reforça que a confiabilidade nasce do controle e que o controle só existe quando há registro, rastreabilidade e validação independente.
Nesse sentido, normas como a ISO/IEC 17025 e sistemas de gestão da qualidade não aparecem como requisitos isolados, mas como fundamentos operacionais para atender aos princípios do GISTM.
Do projeto à operação: coerência técnica como critério de segurança
O GISTM estabelece que a segurança de uma instalação de rejeitos é resultado da coerência entre projeto, construção, operação e monitoramento. Por isso, projetar para cenários conservadores, documentar premissas, controlar a execução e acompanhar o desempenho ao longo do tempo não são boas práticas opcionais, mas exigências do padrão.
Durante a construção, o controle tecnológico assume papel central. Sendo que ensaios de compactação, umidade, granulometria e demais parâmetros deixam de ser registros isolados e passam a ser evidências formais de conformidade com o projeto. Dessa forma, cada resultado precisa estar vinculado à fase construtiva, à especificação técnica e ao responsável pela execução.
Assim, esse nível de controle é o que permite verificar a aderência entre projeto e obra, requisito explícito do GISTM.
Tecnologia como suporte à governança e à transparência
A implementação do padrão internacional para a gestão segura de barragens de rejeitos na mineração exige mais do que conhecimento técnico. Visar a gestão segura de rejeitos exige sistemas capazes de sustentar a governança da informação. Além disso, soluções digitais voltadas ao QA/QC permitem centralizar dados, padronizar fluxos, versionar alterações e criar trilhas de auditoria.
Nesse cenário, plataformas especializadas em gestão de dados geotécnicos contribuem para transformar diretrizes normativas em práticas operacionais. Ao integrar informações de campo, laboratório e obra, esses sistemas fortalecem a rastreabilidade, reduzem incertezas e ampliam a capacidade de resposta em auditorias e revisões independentes.
Mais do que automatizar processos, a tecnologia passa a ser parte da estratégia de segurança.
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O que este e-book entrega ao leitor
Este e-book foi desenvolvido para engenheiros geotécnicos, gestores de mineração, profissionais de laboratório e reguladores que buscam compreender o GISTM de forma objetiva e aplicada. O material apresenta os principais princípios do padrão e demonstra como práticas estruturadas de QA/QC, apoiadas por dados confiáveis, contribuem diretamente para o atendimento de seus requisitos.
Ao longo do conteúdo, o leitor encontra:
- Uma visão clara dos pilares do GISTM e seus impactos na engenharia.
- A relação entre gestão de rejeitos, qualidade, rastreabilidade e governança.
- Exemplos de como dados estruturados sustentam decisões técnicas críticas.
- Uma abordagem prática para transformar normas em evidências auditáveis.
Conclusão
O GISTM marca uma virada definitiva na forma como a mineração trata a segurança de barragens de rejeitos. Ele deixa explícito que não há prevenção sem controle, nem controle sem dados confiáveis. Implementar esse padrão é um desafio contínuo, que exige disciplina técnica, integração entre áreas e confiança nos sistemas de informação.
Transformar diretrizes em prática é garantir que dados, pessoas e processos caminhem juntos. É nesse ponto que a engenharia deixa de reagir a riscos e passa a antecipá-los, sustentada por informação de qualidade e decisões bem fundamentadas.