A parceria entre o Geolabor e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) aproxima ensino, pesquisa e mercado para formar profissionais preparados para uma engenharia cada vez mais orientada por dados, qualidade da informação e tomada de decisão baseada em evidências
A engenharia geotécnica vive um momento de transformação. A incorporação de tecnologias digitais, inteligência artificial, automação e ferramentas voltadas à gestão da informação tem redefinido a forma como projetos são concebidos, executados e monitorados. Não por acaso, o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, aponta inteligência artificial, big data e alfabetização tecnológica entre as competências que mais ganharão relevância até 2030.
Nesse cenário, a formação de profissionais capazes de compreender essas mudanças tornou-se um desafio compartilhado entre universidades e empresas. Mais do que dominar métodos tradicionais de investigação, os futuros engenheiros precisarão produzir, interpretar e gerir informações confiáveis para apoiar decisões cada vez mais complexas.
É nesse contexto que a parceria entre o Geolabor e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) ganha relevância. A iniciativa prevê a implementação do sistema Geolabor nos laboratórios do Departamento de Engenharia de Minas (DEMIN), permitindo que estudantes realizem o gerenciamento de amostras, ensaios, equipamentos e resultados em uma plataforma utilizada em operações reais da engenharia geotécnica.
A utilização da plataforma contribuirá para fortalecer a gestão da informação geotécnica, aproximando os estudantes das práticas adotadas pelo mercado e estimulando uma cultura voltada à qualidade, rastreabilidade e confiabilidade dos dados.
Para a professora Tatiana Barreto, docente do Departamento de Engenharia de Minas da UFOP, a aproximação entre universidade e mercado é uma condição necessária para que a formação acadêmica acompanhe a velocidade das transformações vividas pelo setor.

“Quando a academia compreende as necessidades reais das empresas e da sociedade, consegue direcionar pesquisas, projetos de extensão e atividades de ensino para problemas concretos, tornando a formação mais aplicada e relevante.”
Segundo a pesquisadora, esse movimento também amplia a inserção dos estudantes no mercado de trabalho, estimula a inovação e fortalece a capacidade da universidade de produzir soluções com impacto técnico, econômico e social.
Engenharia orientada por dados começa na formação
As mudanças que vêm impactando a engenharia geotécnica também alteram o perfil do profissional que chega ao mercado. Além do conhecimento técnico, cresce a necessidade de compreender processos digitais, análise de dados, automação e inteligência artificial.
Na avaliação de Tatiana Barreto, a universidade ocupa um papel estratégico nessa preparação. “A universidade tem a responsabilidade de formar engenheiros preparados para atuar em um cenário cada vez mais orientado por dados, automação, inteligência artificial e transformação digital”, explica.
Além de desenvolver novos métodos de investigação, monitoramento e análise, a academia também é responsável por avaliar criticamente a aplicabilidade dessas tecnologias e sua contribuição para a evolução da engenharia geotécnica.
Formando engenheiros para uma nova realidade
Na prática, a parceria entre o Geolabor e a UFOP permitirá organizar o gerenciamento de amostras, ensaios, equipamentos e resultados em uma única plataforma, promovendo maior rastreabilidade, padronização e confiabilidade das informações produzidas nos laboratórios.
Para Tatiana, os benefícios vão além da modernização da infraestrutura acadêmica. “Os estudantes terão contato com ferramentas utilizadas pelo mercado, desenvolvendo competências alinhadas às demandas atuais da profissão. Na pesquisa, a disponibilidade de bancos de dados estruturados e confiáveis ampliará as possibilidades de análises avançadas, desenvolvimento de modelos preditivos e aplicação de técnicas de ciência de dados e inteligência artificial.”
A professora destaca ainda que a parceria fortalece a extensão universitária ao ampliar a capacidade da universidade de prestar serviços tecnológicos e suporte técnico à sociedade e ao setor produtivo.
Embora a adoção de novas tecnologias seja um dos resultados mais visíveis da iniciativa, Tatiana acredita que o principal legado será cultural. “Espero que essa iniciativa deixe como legado uma cultura de valorização da qualidade dos dados e da transformação digital na engenharia geotécnica.”
Historicamente, muitos laboratórios ainda dependem de processos fragmentados e registros dispersos, realidade que dificulta a rastreabilidade das informações e limita o aproveitamento do conhecimento produzido ao longo dos anos.
Para a pesquisadora, construir bases de dados organizadas, confiáveis e acessíveis representa um passo importante para uma engenharia cada vez mais orientada por evidências, capaz de apoiar decisões técnicas mais seguras e eficientes.
Na visão de Bianca Lacerda, mestre em Geotecnia, mestre em Estatística e doutoranda em Geotecnia, parcerias como a firmada entre o Geolabor e a UFOP aproximam a formação acadêmica dos desafios reais da profissão. Ao integrar uma plataforma utilizada pelo mercado ao ambiente universitário, os estudantes passam a compreender, desde a graduação, como a engenharia geotécnica lida com o crescente volume de dados e com as demandas por qualidade, rastreabilidade e padronização das informações.

“Hoje, um dos grandes desafios da engenharia está relacionado à gestão de dados e à digitalização dos processos. Vivemos uma realidade em que há um enorme volume de informações sendo produzido e utilizado na tomada de decisão. Com o Geolabor, mostramos aos alunos como esse desafio pode ser enfrentado por meio de ferramentas digitais que estruturam, padronizam e garantem a rastreabilidade de todas essas informações”, explica.
Para Bianca, a presença do Geolabor na universidade também representa uma oportunidade de aproximar os estudantes da realidade da profissão, tornando o processo de aprendizagem mais concreto e estimulante.
“Existe um grande desafio de engajar essa nova geração de estudantes, tema que vem sendo amplamente discutido em congressos e eventos da área. Quando levamos para a sala de aula ferramentas que eles encontrarão no mercado de trabalho, despertamos o interesse e mostramos, na prática, como é a atuação do engenheiro. Eles deixam de enxergar apenas a teoria e passam a experimentar, ainda durante a graduação, situações muito próximas da realidade profissional. Isso torna o aprendizado mais significativo, mais interessante e conectado à engenharia que está sendo construída hoje”, afirma.